domingo, 10 de maio de 2015

Caminho de Santiago Português do Interior - 1 a 8 Maio 2015

Caminho de Santiago Português do Interior
Ansião – Miranda do Corvo – Vila Nova de Poiares – Stª Comba Dão - Viseu – Castro D’aire – Lamego – Peso da Régua - Vila Real – Vila Pouca de Aguiar - Chaves - Verin – Xinso de Limia – Allariz - Orense – Cea – Silleda – Santiago de Compostela.

Vídeo resumo das etapas

1ª Etapa – Ansião a St.ª Comba Dão, 86 km, subida acumulada 1.396 m, descida acumulada 1.444 m.

Depois de Ansião partimos para a ponte do Espinhal, da nascente do Rio Dueça percorremos ao longo do seu leito até a Godinhela onde fizemos uma pequena paragem para repor as energias e verificar o equipamento. Chegada a Miranda do Corvo a ideia era seguir pela linha até perto da Lousã mas como não tínhamos a certeza do estado de pavimento não arriscamos. Deixamos para trás a N342 e siga ao longo de um estradão florestal muito rolante, na direção de Poiáres a primeira dificuldade em Casal de Ermio atalho por caminho com algum mato que no seu final uma pequena subida de 100 m mas fácil a transição. Já em Poiáres a paragem para o almoço rápido. Subida à Serra de S.Pedro Dias e ultrapassado o “Cabeço da Velha” descida fantástica até à praia fluvial de Vimieiro local de uma pequena visita para a foto nas suas azenhas com a sua imponente represa onde foram captadas algumas imagens para a serie “Beirais” da RTP. Seguida para Travanca do Mondego encontramos a barragem da Aguieira e a passagem no novo tabuleiro da Ponte da Foz do Rio Dão, IP3 (obras que parecem não ter fim). Chegada a St.ª Comba Dão pelas 18h, depois de uma pequena visita atribulada a esta localidade procuramos os Bombeiros Voluntários para pernoitar onde fomos bem recebidos com toda a cortesia e simpatia. Estadia modesta local onde jantamos e descansamos para a próxima etapa. Este troço é muito fácil de se percorrer de bicicleta ou apé, uma excelente ligação do Caminho Português de Santiago ao Caminho do Interior, pouco trânsito automóvel por estrada secundárias, caminhos rurais e florestais, paisagens magníficas e pontos de paragem com parques, comercio e restaurantes.

             

        

2ª Etapa –St.ª Comba Dão a Castro D’aire, 100 km, subida acumulada 1.646 m, descida acumulada 1.269 m.

Saida de Santa Comba Dão em direção à estação que antecede à recente EcoPista do Dão uma infraestrutura de aproveitamento da antiga linha de comboio para Viseu ao longo de 50 km com pavimento muito bom para rolar, uma pequena pausa em Tonda e para café na antiga estação de Parada de Gonta. Mesmo no fim da linha paramos para um generoso almoço em Viseu onde a fase inicial do caminho circula pela cidade, dirigimo-nos para norte por alguma pequenas localidades e entramos em Pousa Maria numa via romana com cerca de 3 km até Almargem. Seguindo-se o sobe e desce temível deste troço, apesar de alguma dificuldade nas subidas muitas vezes a pé o percurso é muito bonito e vale a pena, destacamos a aldeia de Cabrum e sua ribeira. A partir de Vila Meã uma grade descida até Moledo seguida de uma brutal subida a qual optamos por ir por estrada até Mões. Perdendo parte do caminho e com tempo limitado desviamos pela N2 até Castro D’aire, que assim desta forma perdemos os últimos 10 km do caminho marcado. Já na cidade pelas 20h, procuramos novamente os aposentos dos Bombeiros Voluntários para pernoita que nos receberam hospedeiramente, os quais deixa-mos aqui os nossos agradecimentos.




3ª Etapa – Castro D’aire a Peso da Régua, 45 km, subida acumulada 659 m, descida acumulada 1.144 m.

Saída de Castro D’aire e acesso ao caminho pela N2, 3 km entra-se novamente num trilho que dá acesso a mais uma via romana ao longo do rio Alva, trilho de difícil progressão em bicicleta com a descida para a Ponte Velha de Moura Morta. A partir de Mézio onde paramos junto à bonita capela de Senhora das Antas para uma foto seguia-se para o “Alto do Cotos” na serra do Montemuro a 970 de altitude, trilho muito bonito com vistas fantásticas (com sol). A partir deste ponto é sempre a descer. Paragem em Bigorne para o café e continuação a descer quase sempre pela N2 até Penude onde paramos para uma visita a sua igreja matriz. Passagem rápida por Lamego onde começou a chover fortemente, mais uma vez optou pela grande descida por estada, perdendo o caminho até Peso da Régua. O mau tempo que se fazia sentir levou-nos a abortar a viagem. Já na cidade da Régua resolvemos procurar estadia e pernoitar. Neste fim de tarde deu tempo para visitar alguns locais interessantes desta cidade como a Fundação Museu do Douro onde tivemos a oportunidade de provar alguns dos melhores vinhos do Porto.     



4ª Etapa –Peso da Régua a Chaves, 92 km, subida acumulada 1.795 m, descida acumulada 1.427 m.


Depois de um dia perdido devido ao mau tempo na Régua devíamos-mos do caminho original de Santiago até Vila Real o qual parece difícil a progressão em bicicleta optamos por conhecer e seguir pela antiga linha de comboio do Corgo, uma magnifica alternativa que aconselhamos para “bicigrinos” esta via encontra-se em muito bom estado ao nível do piso mas com muitas giestas e outros arvoredos incómodos nos primeiros 5 km, sempre ligeiramente a subir ao longo de cerca de 22 km. Vila Real da estação ao centro onde se percorre algumas das bonitas ruas do centro histórico desta cidade, local de paragem para reabastecimento e visita à igreja dos Clérigos. Seguido para norte entre caminhos rurais parando em Coêdo para uma pequena pausa, continuamos para Escariz onde voltamos novamente à EN2 ate voltar a sair por atalho muito difícil em via romana em Benagouro, a partir daqui optamos pela estrada devido á grande descida e subida do vale de Vilarinho de Samardã, desvio que liga o caminho à antiga linha de comboio convertida recentemente em EcoPista do Corvo, via onde voltamos a entrar em Ferreirinho até Vila Pouca de Aguiar onde paramos para almoçar. Continuando a descida pelo caminho marcado até Sampaio onde devido à lama desviamos pela EcoPista até Pedras Salgadas e Vidago, a partir desta localidade voltamos ao caminho e subimos por caminhos muito bonitos até ao alto de São Pedro de Agostem com visita ao santuário da Senhora da Saúde. Chegada a Chaves pelas 19h e albergaria nas instalações dos Bombeiros Voluntários Flavienses.  




5ª Etapa – Chaves a Ourense, 107 km, subida acumulada 1.560 m, descida acumulada 1.684 m.

Saída de Chaves pela antiga via fronteiriça que nos leva à carismáticas localidades de Vilarinho e Vilarelho da Raia com passagem privilegiada para Espanha pelo caminho que nos leva até Verín praticamente plano, só mais à frente em Albarellos encontramos a grande subida até a Rebordondo a qual fizemos por estrada devido ao caminho nesta encosta ser difícil, já no alto da serra é a grande descida pelo trilho muito técnico até a Villaderrey localidade onde almoçamos. De novo no caminho este estende-se por uma vasta planície de campos de cultivo quase sempre plano e a rolar bem até a Piñeira de Arcos passando por Xizo de Limia e Sandiás. Em Torneiro a propriedade agropecuária encontramos alguns obstáculos com caminhos da pastorícia de difícil transponibilidade mas já no alto um magnífico trilho ou caminho romano que em descida alucinante nos leva até a Allariz localidade de paragem obrigatória devido à sua beleza urbana entre outras coisas bonitas. De Roiriz até Pereiras quase 10 km dos mais belos trilhos do caminho entre vias romanas e caminhos rurais. Depois do Polo Industrial de A Zamorana segue-se a entrada na cidade de Ourense até ao Mosteiro de San Francisco onde se situa o albergue, na impossibilidade da recolha e guarda de bicicletas optamos por uma hospedaria privada onde pernoitamos confortavelmente.



6ª Etapa –Ourense a Santiago de Compostela, 106 km, subida acumulada 2.208 m, descida acumulada 2.102 m.

Depois de algumas voltas no meio do trânsito deixamos esta cidade pela majestosa ponte romana sobre o rio Minho em Ourense, seguido de uma acentuada subida empedrada até à ermida de San Marcos da Costa pela calçada do caminho real. Sempre em subida por estradões rolantes até ao planalto de Sartédigos e Tamallancos este troço já com alguma evidencia na passagem de peregrinos já que coincide co a famosa Via de La Plata ou Caminho Sanabrês de Santiago, pontes romanas cruzeiros e muitas arvores de grande porte. Cea local onde se pode optar pela via mais rápida ou pela via de Oseira, mais dura mas mais bonita e interessante pela serra Martiñá, via romana com passagem pelo Mosteiro de Santa María la Real de Oseira que merece uma visita profunda, com o tempo limitado, optamos pela via mais curta entre Cea e O Reino seguindo pela N525 para ganhar tempo o que nos levou a perder parte do caminho original até San Martiño, voltando novamente ao troço em Santo Domingo onde se percorre por estradão até A Estación onde paramos para o almoço. Num sobe e desce contante por caminhos lindíssimos até entrar novamente na estrada no Polígono Industrial Lalín. Voltinha rápida e registo de passagem em Silleda e continuar até Bandeira, novamente no caminho seguimos para a vertiginosa descida ao vale do rio Ulla apreciado a antiga ponte de comboio e a nova imponente replica do TGV construída por portugueses. Seguia-se a subida e por falta de tempo optamos nos últimos 20 km até quase a Santiago por estrada. Nos últimos 2 kms seguimos pelo caminho passando sobre a linha férrea, local marcado pelo grande acidente ferroviário em 2013. Apos este local comtemplamos ao longe as torres da catedral de Santiago que marcou a nossa chegada. Depois de registar o fim da nossa peregrinação seguimos para os aposentos e descansar desta grande etapa das nossas vidas.

No dia seguinte a protocolar visita a catedral e pelas 12h missa do peregrino, na qual fomos abençoados pelo Senhor Santiago. 




Track GPS original

Este track é o caminho original marcado a partir de Viseu, com apenas 2 adaptações: 1ª Ansião a Santa Comba e EcoPista do Dão até Viseu; 2ª Peso da Régua a Vila Real (Linha do Corgo). Relativamente à nossa viagem em alguns trilhos optamos pela estrada visto que alguns são difíceis de transitar de bicicleta. O caminho marcado começa sensivelmente em Farminhão, cerca de 10 km de Viseu. Este track é indispensável porque as marcações não ajudam muito ou perdem-se frequentemente, principalmente em Portugal, em Espanha as marcações são muito antigas e tem algumas alterações devido a cortes de novas estradas viárias.
Para os que pretenderem fazer este track na integra, prometemos que não se vão arrepender é um caminho muito bonito e interessante. Bom Caminho!



3 comentários:

curvas disse...

Boa tarde. Antes de mais os meus parabéns pela aventura que realizaram. Gostaria de colocar algumas questões relacionadas essencialmente com o alojamento nos quartéis de bombeiros. É necessária reserva antecipada? Levar saco cama? Tem-se direito a banhos? Qual o valor que pagaram para pernoitar em cada um deles?
Cumprimentos, Rui Marques

Tiago Lopes disse...

Boa tarde
Os alojamentos foram sempre arranjados dia a dia, não tinhamos nada marcado pois há sempre imprevistos, tal como o que nos aconteceu na chegada à Régua em que apanhámos um dia de temporal obrigando-nos a ficar por lá mais uma noite, aqui foi num hótel.

Nos locais em que ficámos nos bombeiros, não havia reservas, no próprio dia, quando não tinhamos alternativas, deslocávamo-nos aos bombeiros para avaliar a hipótese de lá ficar, e estiveram sempre receptivos em nos receber. Usámos sempre saco cama nestes locais e tivémos sempre direito a um banho. O pagamento ficava ao nosso critério, e entre nós decidiamos uma quantia a dar.

Em Chaves os bombeiros locais funcionam como albuergye, por isso estarão sempre receptivos em nos receber.

Espero ter ajudado.

Se o fizerem entretanto depois partilhem a vossa aventura.

Cumps

Manuel santos disse...

Gostava de saber se podemos fazer esse caminho a pé